"Esta 'Praça' é mais fresca, está renovada"
Ivo Geraldes
30.NOV.2015

Aos 44 anos, a apresentadora da RTP voltou à Praça, um formato no qual se estreou em 1996 e que marcou a sua carreira. Habituada a multiplicar-se por várias funções, é assim que Sónia diz ser feliz.

A Praça regressou há pouco tempo à RTP1. Está a ser o que esperava?

Não contava com este regresso do programa ao Porto, mas fiquei muito contente. Já tinha virado a página de A Praça, nem pensava nisso sequer, estava concentrada no trabalho que tinha em mãos com o Aqui Portugal. Quando me perguntaram se estaria disponível para apresentar de novo A Praça, caso regressasse ao Porto, respondi logo: "Claro que sim", que estava disponível. Independentemente de ser eu a apresentar ou não, ficaria sempre contente com o regresso.

Este programa marca também o seu regresso à antena diária da RTP. Sentia-se realizada só com uma presença semanal em antena?

São trabalhos diferentes. O Aqui Portugal leva-nos ao encontro do público, que nos descentraliza e que nos mostra a realidade do país. Estes dois anos também foram muito bons porque o contacto com as pessoas que nos veem é muito bom. Muitas vezes quando não estávamos em palco a trabalhar, estávamos lá atrás com as pessoas a tirar fotografias, a dar beijinhos. O público é realmente muito caloroso. Agora, não posso dizer que um programa diário seja mais ou menos aliciante. É diferente... Esta Praça é mais fresca, está renovada, tem o público fiél do programa, mas acho que estamos a conseguir ir buscar um público mais jovem, pela linguagem que utilizámos e com a utilização que fazemos das redes sociais.

Nesse contacto muito próximo que teve com o público durante estes dois anos, as pessoas pediam-lhe o regresso de A Praça? Diziam-lhe que tinham saudades do programa?

Sim, de facto, as pessoas nunca se esqueceram e ao longo destes dois anos era raro não referirem isso mesmo. Para além de dizerem que gostavam que A Praça voltasse, também diziam que gostavam muito de ver a tripla Jorge [Gabriel], Hélder [Reis] e Sónia a trabalhar num programa diário. Portanto, eu sentia essa vontade do público em ver-nos juntos.

Quando A Praça, na altura ainda Praça da Alegria, terminou no Porto, a Sónia disse que mais do que sentir pena do programa ter outros apresentadores, o que a deixava mais triste era o programa sair do Porto. Porquê?

Sim, na altura, disse isso e mantenho a minha opinião. Porque é que não havemos de descentralizar? Todos os programas de day time nas várias estações são todos feitos em Lisboa. Porque não, pelo menos um, ser feito a Norte, quando temos estúdios para isso, capacidade, know how, valor humano... Porque é que não havemos de abrir essa janela também para que o norte do país tenha a visibilidade que merece.

Sente que o meio televisivo está muito centralizado?

É um facto. O poder de decisão continua em Lisboa. Qualquer coisa que tenhamos que resolver na nossa vida, quase tudo passa por Lisboa.

Já sentiu que estar longe de Lisboa e a viver no Porto lhe fechou portas para determinados programas?

Por um lado não me posso queixar, porque realmente nunca deixei de trabalhar em televisão e noutros projetos, mas aquele velho ditado "quem não aparece, esquece-se" pode existir e é normal que quem esteja ali ao lado é chamado mais facilmente do que quem está longe.

Já trabalha com o Jorge Gabriel há muitos anos. Só uma dupla com uma grande relação pessoal é que pode resultar tão bem profissionalmente?

Não é necessário haver uma relação pessoal para que depois funcione profissionalmente. Mas claro que somos amigos e já trabalhamos juntos há tanto tempo que há, de facto, essa cumplicidade. No entanto, não tenho que andar na casa dele nem ele na minha para termos uma grande relação. Nós acabamos o programa e cada um tem o seu espaço e o seu núcleo familiar muito bem constituído. Sei que tenho no Jorge um amigo e ele sabe que tem em mim uma amiga também, portanto essa relação de cumplicidade existe de facto. Para além disso, adoro trabalhar com o Jorge e acho que ele também sente o mesmo por mim. Cada um tem o seu registo e a sua forma de fazer televisão e por isso completamo-nos.

O Manuel Luís Goucha disse há pouco tempo precisamente o mesmo. Que existe uma relação de grande amizade com a Cristina mas que no final do programa cada um tem o seu espaço e não têm que frequentar a casa um do outro.

Acontece exatamente o mesmo connosco. Esse é um dos segredos para que as coisas resultem bem. E cada vez que nos encontramos tudo funciona.

As audiências importam?

Obviamente que não posso dizer que me passam ao lado. Quem trabalha em televisão quer sempre fazer mais e melhor e quer ter bons resultados. Quem disser o contrário está a mentir. Agora nós como estação pública de televisão temos que ter, para além disso, outras preocupações e não podemos fazer qualquer coisa a custo das audiências. Temos também essa responsabilidade de não ultrapassar certas barreiras. Sabemos que estamos num canal público, que postura devemos ter e quais os nossos limites mas obviamente que tentamos, todos os dias, lutar pelas audiências.

Está contente na RTP ou já lhe passou pela cabeça ir para um outro canal?

Já passou pela minha cabeça porque já recebi outros convites de outras estações.

Se esses convites tivessem surgido quando terminou A Praça da Alegria teria aceitado?

Não passou por aí. Porque um projeto acabou e começou logo outro a seguir. Tive que tomar decisões importantes quando surgiram esses convites, mas acabei sempre por optar pela RTP e não me arrependi.

Como apresentadora gostava de ter um programa num outro horário?

Estou muito feliz com este horário. Até porque já apresentei o Família, Família no horário dito nobre. Não concordo muito com esse termo porque acho que qualquer horário é nobre, nós é que temos que lhe dar a nobreza. Já tive essa experiência e estou muito feliz neste horário.

Mas não há nenhum programa que esteja atualmente na grelha da RTP que se visse a apresentar?

Há sim, vários. Tudo o que seja programas que envolvam dança, música, talentos, acho que encaixava muito bem.

Como o The Voice?

Sim, por exemplo o The Voice (risos).

Ter tido uma presença em antena menos frequente permitiu passar mais tempo com os seus três filhos: a Carolina, de 11 anos e os gémeos Tomás e Francisco, de 6 anos. Foi o lado positivo deste período?

Sim, essa parte agrada-me sempre. Permitiu-me organizar, se calhar, de uma outra forma. Mas continuo a estar muito tempo com eles, mesmo com o programa diário continuo a conseguir ir buscar os meus filhos à escola, o que muitas mães não conseguem. Nesse sentido, sinto-me privilegiada porque tenho um horário que me permite ir buscá-los às cinco da tarde e ainda ter tempo de acompanhar os trabalhos de casa e de fazer todas as tarefas rotineiras.

Os filhos já têm a perceção da mãe ser uma figura pública? Como é que eles lidam com isso?

Não valorizam muito, porque não faço grande questão com isso. Nasceram com essa realidade da mãe aparecer na televisão e encaram isso como uma profissão normal pois tento passar-lhes isso. Esta é uma profissão como outra qualquer, com a diferença que a mãe aparece na televisão.

Só com um grande apoio em casa e uma estabilidade emocional muito forte é que permitem ter condições de estar sempre bem-disposta no ecrã?

Sim, de facto, para mim a estabilidade emocional e familiar é importante, permite-me estar no meu trabalho com a tranquilidade necessária. A partir do momento em que entro no trabalho não me preocupo com o lado pessoal, porque está muito bem organizado, tenho uma retaguarda familiar, entre pais e sogros, que me permite ter muita disponibilidade para trabalhar. Quando não posso ficar com os meus filhos, sei que eles ficam muito bem entregues.

É atriz, bailarina, cantora, apresentadora... Há mais alguma faceta que tenha que não se conheça?

(Risos) Atriz não... Sou uma curiosa pelas artes. Já tive algumas experiências como atriz, é certo, mas tenho um enorme respeito por quem dedica a sua vida ao teatro e à arte, o que não me permite dizer que sou atriz. Agora, bailarina sim, posso dizer que sou. Apresentadora também. Tenho experiência como cantora num projeto infantil, Sónia e as Profissões. Só consigo imaginar-me assim a fazer tudo isto ao mesmo tempo. Sou uma pessoa versátil que se completa nestas múltiplas tarefas, provavelmente não seria tão feliz se fizesse apenas uma delas.

Com tantos projetos e tantas funções. Consegue gerir tudo para ainda ter tempo para a família?

É complicado mas sou muito organizada. Por outro lado, também não aceito projetos quando acho que já é demais. Quando sinto que determinado projeto vai ficar prejudicado por não ter tempo para me dedicar a ele não aceito. Há um limite. Gosto de me dedicar às coisas a 100%. Por exemplo, quando aceitei participar no Dança Comigo disse que estava ali para fazer bem. Quando me convidaram para o projeto infantil, Sónia e as Profissões aceitei porque era um projeto de alguém que já tinha muita experiência em trabalhar músicas para crianças, alguém que dava credibilidade e, efetivamente, gostei do resultado e adorei as melodias, todo o conceito.

Nesse projeto infantil podemos ver as várias vertentes da Sónia.

Sim, aí posso explorar os lados de atriz, cantora, bailarina. É um desafio enorme, com um público diferente e exigente que é o público infantil.

Testou as canções com os seus filhos?

Sim, eles tiveram esse privilégio de serem os primeiros a ouvir, claro. E deu para perceber quais as músicas que entram melhor no ouvido, quais as letras que conseguem captar melhor a atenção.

Eles pedem-lhe para cantar as suas músicas?

Sim, pedem. Quando tenho espetáculos perto de casa vão assistir.

As oportunidades têm aparecido na altura certa? Aos 20 anos teria conseguido dar conta de todos estes projetos?

Não, aos 20 anos não tinha o saber que tenho hoje. Acho que tenho, agora, mais capacidade de trabalho do que tinha aos 20. Não tenho, se calhar, é a mesma capacidade de dormir tão pouco, aguentar noitadas mas, por outro lado, a capacidade de me multiplicar e de abraçar outros desafios tenho mais agora porque sei aquilo que não quero.

Em 2016 vamos ver a Sónia em que projetos?

Vou continuar n' A Praça de certeza. A Sónia e as Profissões também e vou continuar a dar a cara por campanhas de marcas com as quais me identifico.

"Não consigo resistir, quando me apetece como mesmo"

A gastronomia do Porto é conhecida pela sua variedade e riqueza. Consegue resistir? É um bom garfo?

Sim, adoro comer. Não consigo resistir, quando me apetece como mesmo. Mas temos que ter regra até na alimentação. Quando acho que exagerei num determinado dia, no outro tenho mais cuidado. Normalmente, o meu lema é ter mais regra a comer durante a semana e ao fim de semana é que faço as asneiras.

A Sónia é uma mulher que se preocupa com a imagem. Quais são os truques que tem para estar em forma?

Para conseguir fazer isto tudo tenho que andar sempre a correr de um lado para o outro. Não tenho muito tempo para estar sentada no sofá a ver televisão. Só à noite antes de adormecer. Mas faço exercício, isso faço. Nem me sinto bem se não fizer ginásio, pelo menos, duas vezes por semana. Tento ir três vezes mas nem sempre consigo e, normalmente, tenho ajuda especializada de um personal trainer para me focar naquilo que é preciso.

É viciada em desporto?

Não pelo sentido do vício mas pelo prazer de estar em forma.

Está casada há 15 anos com o empresário Vítor Martins. Há algum segredo para manter uma relação saudável e duradoura?

Não há segredos, cada casal tem que encontrar a sua fórmula para ser feliz.

No meio de tantos afazeres tem tempo para namorar?

Sim, quando se quer muito arranja-se sempre tempo (risos)

O meio televisivo é conhecido pela sua instabilidade. Vermos a Sónia a fazer várias coisas é uma forma de poder ter várias alternativas?

Se é um plano A, B, C, D, E? (risos) Não penso nessa vertente mas, de facto, acaba por ser um pouco. O mundo da televisão é algo instável apesar de não me poder queixar. Desde que comecei a fazer televisão não saí mais e nunca estive parada, por isso não se aplica muito no meu caso. Fui fazendo escolhas acertadas e tudo depende também da nossa postura e da seriedade com que estamos nas coisas. Mas é verdade que na televisão pode-se aparecer muito depressa mas também se pode desaparecer à mesma velocidade. Se tiver outros interesses a minha vida acaba por não ser só à volta da televisão e é assim que me sinto feliz.

comentários