"Não tinha nada em TV e, de repente, agora tenho tudo"
Ivo Geraldes
10.DEZ.2015

Tem apenas 24 anos mas Jani Gabriel já viveu mais do que seria normal para uma rapariga da sua idade. Manequim há uma década, lança-se agora na carreira de apresentadora como repórter do The Voice e do programa Sociedade Recreativa.

The Voice Portugal, Sociedade Recreativa e rosto de uma campanha mundial da marca Coca-Cola. Este foi um ano de sonho?

Não digo um ano de sonho porque todos os anos, felizmente, tem acontecido qualquer coisa de diferente a nível profissional. Considero este um ano de mudanças. Comecei sem expectativas nenhumas, no início nem estava a correr muito bem por motivos pessoais e, de repente, tudo mudou. Continuo na moda mas surgiu esta parte da televisão.

Sempre teve o desejo de ser apresentadora?

Pensava muito na carreira depois da moda. Estudei para ter outra carreira caso a moda por algum motivo não funcionasse ou não desse. Tinha o meu plano B, a psicologia. Mas houve uma altura em que comecei a pensar que outra coisa é que poderia fazer? E assim surgiu a apresentação. Há um ano começou a dar-me o click de querer saber como é que se faz.

Quando surgiu a oportunidade de ser repórter V do The Voice, ficou surpreendida?

Não esperava porque não é fácil existirem castings para televisão. Neste caso, surgiu logo numa altura ideal porque foi quando tinha acabado de ter formação. Depois, ter ficado no The Voice abriu-me outra porta para integrar a equipa do Sociedade Recreativa. Não podia estar mais feliz porque não tinha nada em televisão e, de repente, agora tenho tudo, como costumo dizer (risos).

O The Voice teve um arranque muito forte nas audiências, conseguindo, até agora, derrotar a concorrência em quase todos os domingos. Foi, decididamente, o programa ideal para começar?

Quando comecei não pensava muito nisso. Claro que depois de estar no projeto comecei a pensar mais nessas coisas e a ser mais ambiciosa: "Agora que estou aqui vamos lá fazer um bom trabalho para ganhar nas audiências". Perguntavam-me muito qual é que seria o meu primeiro trabalho, se tivesse oportunidade de escolher e este representa tudo aquilo que queria porque permite-me aprender a fazer pivôs, a fazer reportagem de vox pop na rua, ou seja interagir com as pessoas e perder a vergonha.

Estão quase a começar as galas em direto. Está nervosa?

Nunca fiz diretos. Mas, por acaso, no que diz respeito às galas do The Voice não estou nervosa e estou ainda muito tranquila. Estou com aquele pensamento de que ainda falta mas, na verdade, já está mesmo aí a bater à porta. O que me deixa mais tranquila é que o meu papel nas galas será estar numa sala à parte com os concorrentes, com quem já vou tendo relações de amizade. Eles vão apoiar-se um pouco em mim e eu também me vou apoiar neles.

A Jani é há 10 anos manequim. Em que ponto fica a sua carreira na moda? Vai conciliar as duas áreas?

Agora tenho três planos. O C está em stand by que é a psicologia e está guardado. Nunca quis fazer uma transição muito rápida porque acho que tem que ser com calma. Sempre disse que se fizesse televisão gostaria de ter um ano de transição, ou mais do que um, e nunca deixar totalmente uma coisa porque nunca se sabe como é que as coisas vão correr, é a primeira vez que estou a fazer isto. Até agora tem dado para conciliar os trabalhos de manequim com a apresentação.

Se numa determinada altura tiver que escolher entre uma das duas, qual escolhia?

Para mim, escolhas são muito difíceis. Acho sempre que sou capaz de fazer tudo ao mesmo tempo. Se chegar esse dia em que terei de escolher entre uma coisa e outra, logo se vê.

Começou aos 14 anos a carreira na moda, quando venceu o concurso Elite Model Look, no qual foi inscrita por amigos. Antes já tinha imaginado ser manequim ou foram mesmo os amigos e familiares que a impulsionaram?

Foi precisamente isso. Quando a Elite foi às escolas procurar manequins, era aquela miúda da turma que estava lá atrás sentada a fazer desenhos no caderno, estava nem aí. A Elite foi, no dia a seguir a ter estado na minha escola, tirar fotografias a quem se tinha inscrito. Como estava doente em casa, uma amiga foi entregar-me os trabalhos e contou-me que algumas colegas se tinham inscrito. Aí fiquei com aquele bichinho, natural em miúdas daquela idade, 'ah elas inscreveram-se, então também vou'. Mas quando ia para o fazer já a minha turma toda e o meu professor de Físico-Química tinham mandado a minha inscrição. Depois fui contactada pela Elite, para vir a Lisboa tirar as medidas e fazer tudo o que não tinha feito naquele dia da escola.

Viaja por todo o mundo desde muito nova. Foi difícil estar constantemente a viajar?

É verdade, era uma criança...hoje em dia olho para as irmãs das minhas amigas que têm 14 anos e são crianças e, às vezes, penso como é que os meus pais me deixaram. É difícil mas sinto que, na altura, não tive muita consciência disso porque como estava naquela fase de transição para a adolescência, fui fazendo as coisas sem pensar muito no dia de amanhã.

Era uma condição ter boas notas para continuar a trabalhar na moda?

Não. Os meus pais eram o contrário de todos os outros pais (risos). Normalmente, os pais querem que os filhos façam o que quiserem mas primeiro estão os estudos. Os meus pais não, e não têm vergonha nenhuma de admitir. Sinto que eles gostam muito desta área profissional, sempre me apoiaram a 100%.

Quando participa em desfiles e representa marcas internacionais, sente-se uma espécie de embaixadora de Portugal?

A primeira vez que senti isso foi num concurso em Xangai, com 14 anos. Estava a representar Portugal e vi que países como França, Espanha e Brasil levavam mais do que uma candidata e eu era a única portuguesa. E senti depois quando fui a primeira portuguesa a ficar nas 15 finalistas e porque nunca tinha ficado nenhuma portuguesa nesse lote e nunca mais voltou a haver.

A Jani foi escolhida este ano para protagonizar a campanha mundial da Coca-Cola. Sente o carinho dos portugueses com estas conquistas internacionais?

Sim. Os portugueses não acompanham muito a moda, não conhecem muitos dos manequins que temos aqui em Portugal. Não é como na televisão que toda a gente sabe quem é. Neste caso específico da Coca-Cola até houve bastante feedback, foi muito falado e recebi vários comentários de outras pessoas a darem-me os parabéns. Foi muito bom.

Falando no seu plano C, a Jani está a concluir um mestrado em neuropsicologia. Vê-se um dia a exercer nessa área?

Gostava muito de um dia exercer psicologia. Acho que um dia isso ainda poderá acontecer. Não sei se vou ter tempo para fazer tudo mas tenho o plano C guardado.

comentários