Seis anos de '5': As entrevistas que eles não esquecem
Nuno Cardoso
30.JUN.2015

Para assinalar mais um aniversário do formato de late night, Borges, Nilton, Fernandes e Markl recordam à NTV os convidados mais marcantes destes últimos seis anos

Já lá vão seis anos desde que 5 Para a Meia-Noite mudou o panorama do late night da televisão portuguesa. Depois de dez temporadas, centenas de convidados e algumas mudanças de apresentadores pelo caminho, o programa que nasceu no segundo canal da estação pública e transitou depois para a RTP1 tem proporcionado momentos marcantes para Luís Filipe Borges, José Pedro Vasconcelos, Nuno Markl, Pedro Fernandes e Nilton. Para assinalar mais um aniversário, os anfitriões do irreverente talk show contam à Notícias TV quais foram as entrevistas que ainda hoje guardam na memória com especial carinho.

Luís Filipe Borges não hesita em escolher o convidado Rui Costa. "É um dos meus ídolos, o príncipe, o maestro. Foi um convidado espantoso, elegante, divertido, carismático. Troquei uns passes com ele em direto, realizando um sonho de criança, e ainda me pregou uma partida que quase me provocava um AVC - fingiu ter tido um acidente e não chegar a tempo ao direto", recorda o apresentador das segundas-feiras, escolhendo ainda outras duas entrevistas marcantes: David Hasselhoff e António Costa. Sobre o primeiro, relembra: "Chegou direto de viagem e, disfarçando exemplarmente o cansaço, deu um festival de humildade, auto-ironia e disponibilidade para todas as brincadeiras. Ainda por cima permitiu-me fazer praticamente um programa inteiro em inglês. Fazer humor noutra língua foi um desafio tremendo e uma espantosa viagem mental". Já sobre o candidato socialista às legislativas, conta: "Chegou solícito, sem nenhuma imposição e com o espírito dos políticos norte-americanos quando se apresentam em talk-shows. Não me hei-de esquecer do momento em que lhe pedi para ler - como se fosse um discurso na assembleia - um texto não escrito por um assessor. Era a letra de Taras & Manias, Marco Paulo", conta.

Já Nuno Markl não esquece a entrevista a Dean Norris, ator da série Breaking Bad. "O mais incrível é que não fiquei atrapalhado ou nervoso. Ele é daqueles tipos que, talvez por ter atingido a fama mundial mais tardemna vida que o habitual e depois de trabalhar durante anos no duro para isso, emana uma disponibilidade, uma decência e um anti-vedetismo extraordinários. No fim, tirou alegremente fotografias com toda a gente, equipa e público", diz o comunicador, destacando ainda o episódio em que esteve à conversa com Jerónimo de Sousa. "Eu não sou militante comunista mas o meu pai era, e levar o Jerónimo de Sousa ao 5 foi mais do que ter um convidado político. Foi, de certa maneira, um fechar do assunto "morte do meu pai", que acontecera há não tanto tempo como isso. Quando chegou, o Jerónimo de Sousa deu-me um abraço e disse-me, genuinamente emocionado,"estou cá hoje em memória do teu pai"", recorda o apresentador. Markl acrescenta ainda as entrevistas a amigos e colegas no formato da RTP. " Na semana sobre a amizade fiz um programa de improviso com o Pedro Ribeiro, o Vasco Palmeirim, a Vanda Miranda, o Ricardo Araújo Pereira, o José Carlos Malato e a Maria de Vasconcelos. Deu-me um gozo imoral conversar com eles. Temi que caíssemos todos nas "private jokes", mas os espetadores adoraram", remata Markl.

Pedro Fernandes destaca a entrevista a Herman José. "É a minha primeira grande referência no humor. Entrevistei-o ainda o programa estava na RTP2. Estava nervosíssimo mas tudo correu bem porque ele fez o programa todo. O Herman não precisa de um entrevistador e as histórias que tem para contar durariam uma série inteira do 5". Sobre a conversa com António Feio, recorda: "Impressionou-me pela simpatia, simplicidade e humildade. Foi até hoje o único convidado que me convidou a ir lanchar com ele no dia anterior. Eu, um puto que nunca tinha apresentado um talk-show na vida, lá fui lanchar com ele. Ficámos umas horas à conversa. Nunca esquecerei essa tarde. O António morreria um ano depois", conta o apresentador. E destaca ainda o cantor Jorge Palma: "É para mim o maior compositor e intérprete português. Sou um enorme fã. Foi difícil convencê-lo a ir ao programa, mas quando foi, foi uma delícia. Realizei o sonho de cantar em dueto com ele", explica Fernandes, apontando ainda outros exemplos como Bruno de Carvalho, Tony, David e Mickael Carreira, Rui Massena, os chefs Cordeiro e Kiko, José Pedro Gomes, Maria Rueff, Joaquim Monchique e Bruno Nogueira, entre outros.

Por seu lado, o atual apresentador das sextas-feiras, Nilton, prefere eleger a sua mais recente entrevista, há uma semana, a Alberto João Jardim. "Escolher um ou outro convidado é sempre muito complicado e injusto. Qualquer pessoa que aceite estar ali uma hora comigo já merece o meu respeito. Escolho a última por ter sido isso mesmo, a última que fiz. Surpreendi-me com o Dr. Alberto João Jardim. Pela amabilidade de ter vindo ao continente propositadamente. Pelo sentido de humor e acutilância no discurso, e pela simplicidade. Eu já fui 31 vezes à Madeira mas nunca nos tínhamos encontrado. Foi uma ótima surpresa e sem dúvida dos melhores momentos que vivi no programa"; remata à NTV.

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