Sportinguista fã de caracóis e de praia
Carla Bernardino
30.DEZ.2014

Gosta de desafios, de pregar partidas e os amigos elogiam-lhe o sentido de humor. Eis o novo diretor de Informação da TVI que recusou ser secretário de Estado de Manuela Ferreira Leite e não nega um pires de caracóis e umas "bejecas".

"O Sérgio sempre foi uma pessoa muito assertiva, que traça objetivos muito definidos e faz o que estiver ao seu alcance para os concretizar, é de compromissos, não é de meias-tintas." Celso Filipe, jornalista e subdiretor do Jornal de Negócios, conhece o atual diretor de Informação da TVI há quase 25 anos, ainda dos tempos do Expresso, no início dos anos 1990, em que Sérgio estava mais ligado ao internacional e Celso na economia.

Em 1995, o novo diretor de Informação da TVI mudava-se para o Diário Económico, mas após alguns meses, em outubro de 1996, já Sérgio Figueiredo era diretor adjunto e o então diretor Nicolau Santos saía. Celso Filipe recorda-se desse momento: "Havia dúvidas sobre quem devia assumir a liderança e lembro-me de que na altura o Sérgio disse: "Se falarem de mim, eu não tenho condições." Creio que talvez fosse uma forma de se posicionar."

A verdade é que Sérgio acabou por assumir a direção, mas Celso desfia esta história para explicar a assertividade do amigo. Uma característica que Paulo Ferreira, ex-diretor de Informação da RTP, também lhe reconhece. Mas acrescenta: "Ele tem capacidade de liderança, exigência de qualidade mas, ao mesmo tempo, características humanas que são raras e consegue, por isso, criar grande empatia. Isso reflete-se na relação mais pessoal e que se estende fora do trabalho", refere Paulo, que conheceu Sérgio Figueiredo nas "lides jornalísticas da década de 1990".

"Pregar partidas e fazer piadinhas" também é com ele, conta Celso Filipe, que juntos, contando com cumplicidade de Paulo Ferreira, quase conseguiram pôr um estagiário com medo da própria sombra depois de ter escrito uma notícia sobre matérias-primas. "Arranjou-se um logótipo da embaixada onde esta aparecia a exigir o julgamento do jornalista por ter posto em causa o rei. Chamámos o estagiário para dizer que eles queriam a pena de morte do repórter. Mais tarde veio outro fax a exigir que, pelo menos, cortássemos a mão ao jornalista que escreveu aquela barbaridade." Um episódio que só seria desmontado dias depois e que tinha o aval de Sérgio Figueiredo.

"Tem um ótimo sentido de humor", acrescenta Paulo Ferreira. Uma característica que João Paulo Guerra, jornalista e que hoje está nas manhãs da Antena1, reconhece a Sérgio, seu estagiário nos tempos de O Diário. "Era um tipo bem-disposto, trabalhava bastante e não era workaholic. Era um miúdo que tinha muita vontade de fazer coisas e falava muito de economia. Na altura, havia pouca especialização nos jornais e ele estava a estudar ou tinha acabado de tirar o curso no Instituto Superior de Economia [hoje ISEG]", recorda.

Adepto dos Leões e da "economia de mercado"

Sem ser fanático pelo desporto, Sérgio Figueiredo defende o clube de Alvalade mas com moderação. "É empenhado, mas não doente pelo Sporting", explica Paulo Ferreira. No que diz respeito a posições políticas e económicas, "é uma pessoa que defende a economia de mercado", refere o antigo diretor de Informação da RTP, lembrando que Figueiredo é "das pessoas com mais pensamento económico publicado em Portugal".

Quem o conhece não estranhou a tomada de posição do jornalista ao assumir publicamente, em crónica no DN: "Gosto de Sócrates!" "Isso é o Sérgio, não foi surpresa e sabemos que, independentemente da proximidade, nunca deixará de fazer o trabalho de buscar a verdade e de fazer a análise intelectual", justifica Paulo Ferreira. Celso Filipe corrobora e, na altura de recordar uma história curiosa, evoca o momento em que "Sérgio foi convidado para secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, no ministério de Manuela Ferreira Leite" (2002). A resposta foi negativa porque - lembra Celso Filipe - "ele considerava que era muito novo e não tinha por objetivo enveredar pela política".

Mas em matéria de gostos, há algo de que o futuro diretor da TVI não prescinde: "Ele adora comer um bom marisco, caracóis no verão e de uma boa conversa", diz Paulo Ferreira. Celso Filipe também é assíduo nestes encontros. "Gostamos de comer caracóis e beber umas "bejecas"", diz aquele jornalista que revela a paixão de Sérgio pelo calor. "Sei que ele passava férias em Melides e partilhamos este gosto pela costa alentejana", afirma.

"Ele, se pudesse, instalava o escritório na praia", brinca Jorge Wemans, antigo diretor da RTP2 que contou com Sérgio Figueiredo para vários programas de debate e um concurso de empreendedorismo, Audax, entre 2005 e 2008, no segundo canal da estação pública. Amigo de longa data, Wemans descreve o novo diretor de Informação da TVI, que sucede a José Alberto Carvalho, como "bem-disposto e alegre". "Encara um projeto novo com a mesma tranquilidade como se se tratasse de uma fórmula já testada", diz. Foi assim em 2002 quando tentaram criar, também com Luís Marques, hoje administrador editorial da Impresa, um projeto de rádio, internet, televisão e jornal, que acabou por cair por falta de investidores.

Celso Filipe espera isso do amigo no novo projeto em Queluz de Baixo e antecipa um prognóstico. "Acho que os próximos cinco anos do Sérgio vão ser passados na TVI porque um projeto tem de ter este tempo de maturidade e porque ele acredita que pode fazer diferente."

O novo diretor de Informação da TVI é pai de Sérgio, com 23 anos, Luiza, de 15, Manuel, de 11 e Pedro, com 9, fruto do relacionamento com Celsa, "que conheceu ainda nos tempos de faculdade", recorda o subdiretor do Jornal de Negócios. Em novembro, o jornalista deixou a admistração da Fundação EDP ao fim de sete anos - lugar agora ocupado por Miguel Coutinho - sendo-lhe apontada uma relação, até agora não confirmada, com Margarida Pinto Correia, de 48 anos, diretora de Inovação Social da Fundação EDP.

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