"A máquina está muito bem oleada"
Carla Bernardino
12.FEV.2015

Nuno Artur Silva deixou o Eixo do Mal e passou a bola a Aurélio Gomes. Quem participa diz que o programa continua alinhado, mas com ligeiras diferenças. Fique a conhecê-las!

Novo moderador, práticas antigas. É assim, pelo menos, que quem está à frente e atrás das câmaras em Eixo do Mal define a entrada de Aurélio Gomes - que sucede a Nuno Artur Silva, agora administrador da RTP - aos comandos do programa de atualidade e comentário da SIC Notícias.

"O programa é uma máquina que está muito bem oleada e não pretendo mudar para não alterar a dinâmica do formato", começa por avisar Aurélio Gomes, a cerca de uma hora de se sentar ao topo de mesa do quarteto de comentadores: Clara Ferreira Alves, Luís Pedro Nunes, Daniel Oliveira e Pedro Marques Lopes.

Mas há ligeiras alterações: "Acho que o Aurélio estava muito concentrado, ouvia e cumpriu os tempos e conseguiu pôr os temas todos", revela a realizadora Fernanda Alverca, que crê que, para uma primeira vez, o novo moderador - que teve direito a teleponto - "interagiu, riu-se e participou no debate" e merece "nota alta".

"Os estilos são diferentes", distingue Daniel Oliveira, que, ainda assim, acredita que pouca coisa vá mudar com a chegada do novo elemento. "Durante anos estivemos com o Nuno, mas acho que o Aurélio é uma excelente substituição. Ele deslizou muito bem no primeiro programa", avalia Clara Ferreira Alves.

Entre as eventuais diferenças, Pedro Marques Lopes antecipa a disciplina... mas por pouco tempo. "Com o Aurélio estamos a adaptar--nos. A primeira fase será de avaliação, o que faz que haja, da parte dos moderadores, uma disciplina maior. Mas a coisa vai mudar", avisa este comentador, cujo cognome é, a par de Daniel Oliveira, de "duo maravilha". Um batizado celebrado por Clara Ferreira Alves.

Chegar, ver e gravar

Aurélio Gomes é efetivamente o primeiro a chegar aos estúdios da SIC, ainda antes do meio--dia. Os primeiros momentos são dedicados a conversar com a equipa técnica. "Como eu não o conhecia, fui-me apresentar e falar com ele", revela Fernanda Alverca. Marta Barreiros também não perdeu tempo e já tem a melhor impressão: "Ele é super-responsável, chega cedo e vê as coisas comigo com tempo", revela. A produtora faz a recolha de todas as imagens que são transmitidas durante o programa. "Com o Nuno este processo era pior. Ele chegava ao meio-dia e meia e queria mudar tudo em menos de meia hora, o que não é fácil. Com o Aurélio penso que vai ser diferente. Ele vem mais cedo e faz as coisas com mais calma", elogia Marta.

A bater as 12.15 e já com as imagens escolhidas e aprovadas, Aurélio Gomes atravessa um dos corredores de Carnaxide a caminho da maquilhagem, contando com a companhia de António José Teixeira, diretor do canal noticioso da SIC.

À porta da caracterização espera-o já Luís Pedro Nunes. Minutos depois chega Pedro Marques Lopes e Daniel Oliveira e, por fim, Clara Ferreira Alves. E se numa redação o silêncio não é a característica predominante, assim que o quinteto se cumprimenta as conversas sobem de decibel e ouvem-se gargalhadas. Enquanto os analistas vão um a um à maquilhagem, vão-se conversando temas diversificados, mas não necessariamente de trabalho. O caso só muda de figura quando a equipa em bloco - moderador, comentador, diretor, produtora, realizadora, técnicos - entra na sala para montar a emissão.

"Bom, no tema da Grécia começa o Daniel; na hepatite C, o Luís Pedro", distribuiu Aurélio, a quinze minutos da gravação do programa arrancar e enquanto se discute o novo sex symbol da Grécia... Yanis Varoufakis. "Ele é fofinho", ouve-se, entre risos, o comentário sobre o novo ministro helénico das Finanças.

"Se outra pessoa quiser abrir com a Grécia...", propõe Daniel Oliveira. Aurélio deixa o caso a discussão e só volta a organizar os seus analistas para dizer: "Podemos ter 40 minutos para os dois primeiros temas (Grécia e carta de José Sócrates à SIC)", propõe. Uma sugestão aceite, mas com um aviso à navegação: "Tens de os dominar Aurélio", gracejou Clara Ferreira Alves.

Programa começa às... quintas-feiras

O Eixo do Mal só vai para o ar às sábados à meia--noite, mas é geralmente gravado às sextas à hora de almoço. Porém, quando os cinco elementos do programa se sentam à mesa, vigiada por quatro câmaras, e já para a conversa, trazem o trabalho de casa feito. "Às quintas-feiras, cada comentador entrega uma lista de temas, depois é o moderador que encontra pontos de contacto e decide quais os temas que serão abordados e procura definir que tempo dá a cada uma das matérias", explica Pedro Marques Lopes, confirmando tratar-se de uma prática regular desde os tempos de Nuno Artur Silva.

"É uma troca de e-mails intensa entre as quartas e quintas-feiras", confirma Aurélio Gomes, que ressalva que, apesar de definidos, "os temas estão sempre em aberto até ao dia da gravação até por uma questão de atualidade", afirma. Os recados também seguem para a produtora, que deverá encontrar as imagens pedidas e que vão ser exibidas no programa.

Um processo de preparação não muito longo mas que culmina na sexta-feira, à uma da tarde, em ponto, com o moderador a dizer: "Eu não sou o Nuno Artur Silva, mas este é o Eixo do Mal." Quanto ao resto? Isso, você já viu!

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